7 partes de mim

+ do que 1

 No passado mês fui surpreendida com uma mensagem da Catarina Leonardo (autora do blogue Viajar pela História). Essa mensagem tinha lá dentro uma distinção que muito me honrou – trata-se de um reconhecimento, o “Versatile blogger award”, que visa destacar um blogue particularmente inspirador  através das suas palavras e/ou fotografias. Não podia ter ficado mais contente. Sigo o trabalho da Catarina (que muito admiro ou não fosse eu uma amante da História) e sem dúvida que também contribui para que o meu quotidiano de todos os dias seja mais rico e interessante.

Muito obrigada, Catarina, por este prémio! Uma motivação extra para continuar a viajar e a achar que vale a pena continuar aqui!

[Painel de azulejos nos jardins do Palácio Marquês de Fronteira.Lisboa.]

É suposto um vencedor do “Versatile blogger award” dar-se a conhecer em 7 factos, em 7 pinceladas, para dar uma ideia aos leitores de quem está por trás do blogue. É o que vou tentar fazer a seguir…

1. Adoro poesia

É raro o dia em que não leia poesia: um poema, um verso ou então algo relacionado com um poeta – podem ser notas biográficas, notícias sobre novos livros ou edições, recensões, outros textos que não poemas escritos pelos poetas.

[Livraria Sovilla, Cortina d`Ampezzo, agosto 2016.]

O  poema mais antigo na minha memória é da autoria de José Gomes Ferreira. Era ainda criança e peguei num livro de poemas – Poeta Militante. Os meus pais tinham vários títulos  obra toda do autor, que engloba crónicas, contos, diário e esse romance extraordinário que é Aventuras de João sem medo, que eu li muito mais tarde.

O poema é este e recordo-me ainda hoje do impacto que teve em mim e como o escrevi em inúmeros cadernos que mais tarde tive. Era sempre este o texto que eu queria para a primeira página.

 

Comício

 

Vivam, apenas.

 

Sejam bons como o sol.

Livres como o vento.

Naturais como as fontes.

 

Imitem as árvores dos caminhos

que dão flores e frutos

sem complicações.

 

Mas não queiram convencer os cardos

a transformar os espinhos

em rosas e canções.

 

E principalmente não pensem na Morte.

Não sofram por causa dos cadáveres

que só são belos

quando se desenham na terra em flores.

 

Vivam, apenas.

A Morte é para os mortos!

 

José Gomes Ferreira

2. Cinema

[Palavras de Manoel de Oliveira. Cinemateca, Lisboa.]

Sou apaixonada pela sétima arte. Gosto de ir ao cinema, de ler e de escrever sobre cinema.E não é de agora…

Em arrumações recentes, reencontrei-me com os diários da minha adolescência onde a partir de certa altura comecei a registar as minhas idas ao cinema, num tempo em que só se viam filmes no CINEMA. Em mais lugar nenhum. E ir era um acontecimento, um motivo de alegrias. Nesses diários, guardava os bilhetes e no verso de cada um deles registava o nome do filme e do realizador. Alguns mereciam uma “crítica” e a atribuição de estrelas de acordo coma minha apreciação. Tinha eu 15 anos  e ainda me faltavam muitos filmes.

Lembro-me bem do primeiro filme visto numa sala de  cinema: foi “Mary Poppins”, com Julie Andrews, eu ainda nem sabia ler. Mais tarde aprendi o nome dos atores, revi o filme e quis ver mais.

Em abril, em Roma, tive pena de não ter tido oportunidade de visitar a Cinecittà. Está nos meus planos. Em 2014 pude assistir a uma sessão no festival de Cinema de Veneza e foi com grande emoção que visitei o Museu do Cinema em Turim (agosto de 2015).

[Sala Darsena. O filme era “Senza nessuna pietà”. Estreia com a presença dos atores  Pierfrancesco Favino e Adriano Giannini . Lido, Veneza.]

[A caminho do Museu do Cinema. Turim.]

[Museu do Cinema. Turim. Aprender: como surgiu o cinema, como se faz cinema, quem contribui para a obra final que é um filme. Pistas para lermos uma obra cinematográfica – tudo ali.]

[Museu do Cinema. Turim.]

Da adolescente que fui, guardo o hábito de guardar os bilhetes de cinema, de teatro, das entradas em museus, dos comboios, dos aviões e não só…

3. Café e livros

O café é uma das minhas bebidas favoritas. Também gosto na sua versão gelada, granita, caramelos, cappuccino, ou mesmo bola de gelado. Gosto muito de livros. E quando se misturam estes dois prazeres no mesmo espaço, então esse lugar é onde eu quero ir.

[Livraria Acqua Alta, em Veneza. Talvez a mais extraordinária de todas as livrarias onde já estive até agora. Há prateleiras, mas sobretudo barcas e uma gôndola. Espalhados e empilhados, os livros.]

[Café San Marco, em Trieste. É também uma livraria e uma galeria. Existe desde 1914. Belíssimo!]

Se pudesse, diria a Jorge Carrión que escreveu o livro que eu sempre quis ler – Livrarias, uma espécie de guia de uma viagem pelas livrarias do mundo, pelas biografias dos seus livreiros, pelas histórias vividas ali, naqueles espaços.  Um livro sobre o amor aos livros. Na capa da edição portuguesa, uma foto da Shakespeare & Company. No interior, imagens e palavras sobre tantas outras. Numas já entrei, outras estão nos meus roteiros de sonho.

4. Itália

[Pavilhão de Itália na Bienal de Veneza. Agosto 2015.]

É este o país, a seguir a Portugal, onde sou mais feliz. É este o país que conheço melhor depois do meu. É a Itália que quero sempre regressar.

[Pavilhão de Itália na Bienal de Veneza. Agosto 2015.]

5. Asas

[Detalhe de asas. Igreja de Santa Maria del Popolo. Roma. Abril 2017.]

Coleciono asas. Tenho várias no meu arquivo fotográfico e sem pensar muito no porquê  fui registando. Sempre gostei da palavra “alado”, que me faz lembrar Pégaso e Mercúrio (este último também o deus protetor dos viajantes). Há as dos anjos e as dos pássaros. As dos aviões. As dos leões e dos cavalos alados…

Deixo aqui algumas asas da minha coleção.

[O leão alado, símbolo de Veneza. Agosto 2015.]

[Basílica do Sacré Coeur. Paris. Abril 2016.]

[Faro della Vittoria. Trieste, agosto 2014.]

[Esculturas na Piazza Statuto, Turim. Agosto 2016.]

[Asas no Palazzo Grimani. Veneza. Agosto 2015.]

[Um restaurante que é um museu, uma oficina, uma galeria. Aqui neste espaço fabricam-se asas…Fica em Roma, na via del Babuino – Museo Atelier Canova Tadolini. Abril 2017.]

6. Alfabetos e caligrafias

 Gosto muito da parte física das línguas, daquilo que nelas é mais imediato para os sentidos. Falo dos alfabetos, pelos quais tenho a maior das curiosidades. Admiro as diferentes caligrafias quando a língua passa a ser escrita e cada falante a toma para si nas mãos, que a desenham…

[Aeroporto de Telavive. Agosto 2015.]

Gosto muito de aprender línguas, de as ouvir nas ruas, nos mercados, nos cafés. Ou então, num registo musical.

Há línguas particularmente doces de ouvir e de pronunciar – nenhuma, a meu ver, bate o Francês. A mais violenta das afirmações pronunciada neste idioma é suavizada pela doçura fonética das suas consoantes, vogais, acentos e combinações… Aos meus ouvidos, não existe a rudeza no Francês. A mais musical, das que eu conheço, é a língua italiana.

[Numa Pizzaria em Pisa, 2016.]

Quando estive em Israel, agradou-me a novidade melódica do Hebraico e deliciei-me com o alfabeto. A este, veio juntar-se o Árabe escrito. A estas duas juntava-se o Inglês e assim tinha sempre 3 línguas para ver/ler em silêncio dentro de mim.

[Jerusalém. Agosto 2015.]

Em Marrocos, um berbere teve a paciência de me ensinar algumas palavras em Árabe e em Berbere.

O Japonês, que não conheço, é lindo de ver escrito na sua sintaxe vertical. Aprender Mandarim, com os seus tons variáveis que condicionam a semântica de um mesmo vocábulo, parece-me um desafio fascinante. O Grego soa-me muitas vezes a uma língua familiar, ou não tivesse a minha língua mãe um léxico tão recheado de vocábulos oriundos da  Grécia.

Aos alfabetos e à  caligrafia posso juntar o meu interesse pela etimologia: as origens e a memória inscritas nas palavras.

[Efeito de sombra e de luz solar numa fachada de um edifício próximo do B&B onde fiquei em Turim. Agosto 2015.]

[Inscrições em Latim na Ponte Romana de Trajano. Chaves.]

Sobre esta minha “parte” já escrevi aqui

8. Ler a História

Interessa-me muito o passado. Ajuda muito a compreender o presente. É fundamental para pensar um futuro melhor. Seja em termos individuais, seja em termos coletivos.

Gosto de ler livros de História e tenho um fascínio muito particular pela Idade Média.

No entanto, se pudesse concretizar um sonho que tenho desde sempre – viajar no tempo – gostava de ir até à época do Renascimento e vivê-la  exatamente no lugar onde surgiram os primeiros sinais desta verdadeira revolução cultural : Florença.

[Florença vista desde os jardins do Palazzo Pitti. Julho 2012.]

 

[Casa museu de Dante. Florença, 2012.]

Com o prémio “Versatile blogger award”, quero distinguir um outro blogue que sigo – Documentar o Mundo, da Eva Marcela.  Através das suas histórias, sabores e viagens, a Eva leva o leitor por esse mundo fora e dá-nos a conhecer pessoas, tradições, histórias de vida que se cruzam com a História. Visitem-no e viajem com ela!

Parabéns, Eva! Votos de boas viagens, porque delas resultam textos muito inspiradores!

 

ASM

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