Mapa da felicidade

+ do que 1

Para o último post de 2015, escolhi traçar um mapa. O meu mapa do ano. Da felicidade vivida nos lugares onde estive. Foram muitos, com alguns regressos, muitas surpresas boas, destinos imprevistos, encontros improváveis. Todos eles deixaram memórias de felicidade. Por isso o ano foi muito, muito bom. Todos os textos deste ano (e não só) devem ser lidos com olhos a adivinhar felicidade. É isso que também lá está…

No ano passado, por esta altura, fiz um balanço considerando os livros que comprei e li durante as minhas viagens (“Balanço com livros”). Hoje vai ser com imagens, com as fotografias que fui tirando e cujas histórias guardo na memória: histórias particulares, histórias de outras pessoas, outras são a imagem de histórias vividas com outras pessoas. Também há aquelas que evocam tempos antigos e isso é o bastante para as justificar, não fosse eu uma apaixonada pela História.

Aqui deixo então um mapa de imagens com muita felicidade dentro. E ao escolhê-las para esta galeria, apercebi-me do quanto ainda tenho para escrever sobre os lugares, experiências, pessoas, tempos que elas retratam. Fica a promessa e o desejo para o novo ano – pôr a escrita em dia… Até porque muitas ficaram de fora, à espera das palavras que ajudam a relatar o que cada uma tem de vivido.

Começo pela Páscoa de 2015 que contou com uma incursão pelo Alentejo, como já aqui relatei . O regresso a essa região do país é sempre para mim a certeza da felicidade. O trajeto contou com paragens em Évora, Estremoz e Redondo.

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– Vista do meu quarto em Estremoz, na Pousada da Rainha Santa Isabel, o antigo Paço Real.

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– O interior mereceu fotografias de pormenores recheados de História…

E é muito por causa destes horizontes assim que eu gosto tanto do Alentejo:

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Outro ponto obrigatório no meu mapa é Lisboa. Uma cidade inesgotável. Sempre que lá vou descubro lugares, recantos, detalhes que merecem um registo. A outros retorno com a alegria de sempre.

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– Redescoberta do Castelo de São Jorge.

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– Finalmente fui à Casa do Alentejo, por sugestão do meu pai. Há muito que me dizia o quanto era imperdível e foi ele que me guiou, dando-me a conhecer um espaço extraordinário, bem no centro de Lisboa. Com um interior surpreendente, de uma beleza que se espalha por todos as suas salas. Tem um restaurante, um salão para festas e concertos, uma biblioteca, enfim, um espaço multifuncional, com uma atmosfera muito peculiar, a lembrar um filme antigo. É também um lugar que presta homenagem a alentejanos ilustres que se destacaram na história das artes, ciências, etc.

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– Imagens de Lisboa e do céu da cidade: desde o Chiado e da belíssima igreja do Carmo.

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– O céu da Rua Garrett.

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-Igreja do Carmo.

Os jardins: visitei o Botânico, que fica numa das zonas da capital que mais aprecio – o Príncipe Real. Esta foto é do Jardim da Estrela, um dos meus preferidos.

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Uma descoberta bem recente – a Embaixada: um espaço comercial e cultural, num edifício de inspiração mourisca, o Palácio Ribeiro da Cunha. Ali encontram-se lojas de artigos apetecíveis, mas também pequenos restaurantes e cafés e galerias de arte.

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– As escadas que dão acesso aos espaços da Embaixada.

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– Há muito tempo que não via um elevador assim, a lembrar um filme com mistérios por resolver. Sobe e desce na Embaixada.

Por vezes em trabalho faço pequenas viagens. O contexto é bem difrente das restantes, os objetivos são outros, mas retiro o melhor partido delas e em termos pessoais são sempre pretexto para descobertas e experiências marcantes. Este ano não foi exceção e o trabalho levou-me a Óbidos e ao Porto.

A Óbidos já não ia há bastante tempo e reconheci na vila muitas mudanças surpreendentes. A que quero aqui destacar é o seu dinamismo cultural, bem visível em pequenos detalhes. O sítio mais surpreendente foi, sem dúvida, a livraria de Santiago, que ocupa o espaço da Igreja de São Tiago, ao cimo da rua principal da vila. Um espaço notável, de ter vontade de lá passar horas. Não é um espaço só para livros, é também dedicado à promoção de debates, exposições e projeção de filmes. Se quisermos, também podemos degustar um café ou um chá enquanto percorremos as prateleiras que nos lembram, apesar de tudo o resto, que estamos numa livraria…

Outra casa de livros em Óbidos é a do Mercado Biológico. Entra-se e o aroma a fruta doce e a legumes frescos mistura-se com o cheiro dos livros que ali também estão. Dois espaços a visitar, portanto. Coordenada – bem no centro de Óbidos, que recentemente se tornou Vila Literária.

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– A livraria de Santiago.

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– O Mercado Biológico.

O meu regresso à minha segunda cidade (pois faz parte das minhas memórias de infância e estudei e vivi lá durante cinco anos), o Porto, teve como pretexto um roteiro literário. Tenho a sorte de trabalhar com colegas que são também amigos e, por isso, foi também com muito prazer que delineei um itinerário que convocasse autores e textos da literatura portuguesa. Assim, em busca dos espaços de Almeida Garrett, Camilo Castelo Branco, Sophia de Mello Breyner e Ruben A.,  levei o grupo ao Museu Romântico, ao Centro Português de Fotografia (antiga Cadeia da Relação) e ao Jardim Botânico. Tivemos ainda a oportunidade de conhecer os desenhos de Goya, que estavam expostos nas Caves Cálem, em Gaia.

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 -Sophia no Jardim Botânico, num espaço que terá inspirado o jardim d`”O rapaz de bronze”.

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– Jardim Botânico, Porto.

No período de férias, e como já aqui dei conta (“Ausência escreve-se com I”), conheci um país e regressei a outro: Israel e Itália.

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– Jerusalém, Israel.

Levou-me a Israel o desejo de frequentar um curso de formação sobre o Holocausto. A todos os níveis, superou as minhas melhores expectativas. Regressei outra. Ainda tenho muito que escrever sobre esta experiência e tenho ainda no meu arquivo muitas imagens para partilhar. Israel trouxe novos amigos à minha vida. Permitiu-me viver experiências que só fazem sentido ali naquele território, com aquela História. Apesar do enquadramento propício à tristeza e angústia, encontrei momentos felizes. Deixo aqui alguns deles…

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– A deusa Atena.

A felicidade de visitar o Museu de Israel em Jerusalém e de me cruzar com a História, a Arte, a Etnologia, as Religiões e a Arquitetura que coexistem neste país.

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– Gostei da vida e da juventude que encontrei na cidade antiga de Jerusalém, de observar os seus habitantes e as suas rotinas.

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Seguiu-se Itália que me oferece sempre momentos inesquecíveis. Também ainda não escrevi tudo o que tenho para contar. Embora Veneza tenha sido um destino repetido, todos os dias foram diferentes e o tempo distendido que lá vivi permitiu-me descobrir muitas Venezas, repetir lugares, conhecer pessoas, gostar ainda mais desta cidade e da sua História única. Fui a outras ilhas da laguna que ainda não conhecia e que queria muito: Torcello, Burano, San Giorgio Maggiore e San Lazzaro degli Armeni. Entrei em muitos espaços da Biennale de Arte. Pude caminhar sem tempo ou escolher sentar-me nos muros, nos cafés, nos bancos das praças, nos degraus das escadas dos palácios e igrejas só com o intuito de estar e de desfrutar daquele tempo e daquele espaço. Conheci ainda bairros que merecem palavras mais demoradas que estas – Cannaregio, Castello, o gueto.

Para ilustrar Veneza, algumas imagens do arquivo italiano.

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– Um momento muito especial – este em que eu atravessei a Ponte dell`Accademia, sobre o Canal Grande, a caminho do teatro La Fenice, para assistir à ópera “La Traviata”. A temporada da ópera em Veneza começa sempre com esta obra de Verdi.

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– Esta foto mostra pouco deste lugar que descobri por mero acaso e sobre o qual tenho de escrever. Uma loja que é também a oficina do artesão, neste caso artesã, que faz chapéus e “tabarros”. Estes últimos são capotes feitos de fazenda grossa, mas muito suave, e bem quente. Um adereço masculino. Tudo peças únicas, irrepetíveis. Um encontro improvável que me fez demorar ali quase uma manhã, já que o marido da artesã tinha outras artes e sobre elas conversámos, artes essas que envolvem Giacomo Casanova, traduções para dialeto veneziano, ações políticas em defesa da Sereníssima e uma moeda que me ofereceu.

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– A manhã que dediquei a conhecer o Palazzo Ducale por dentro e a procurar os melhores ângulos ao tentar registar a sua beleza…Fachada interna e vista parcial da escadaria dos Gigantes: Marte e Neptuno.

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-De dentro do palácio, veem-se as cúpulas da Basílica de San Marco e a torre do Campanário.

No roteiro italiano, e antes de Veneza, a grande surpresa foi a também chamada “Paris de Itália”, ou seja, Turim. Percebe-se bem este paralelismo, se olharmos com atenção para a arquitetura desta cidade da região do Piemonte. Foram dias muito especiais aqueles que aqui vivi. Ia com algumas ideias para visitas – dois museus constavam da lista: o Museu do Ressurgimento e o do Cinema. Fizeram parte dos meus dias, mas conheci muito mais desta cidade encantadora e charmosa. Foi a primeira capital do reino de Itália e, por isso, também não esconde o seu caráter majestoso… Tem praças lindas e pórticos que não acabam, um rio que a atravessa, uma planície em harmonia com montanhas alpinas.

O fascínio da sua beleza encontrei-a ainda nos inúmeros cafés e restaurantes históricos, nos jardins, nos fins de tarde junto às margens do rio Pó, nas iluminações noturnas que destacavam o melhor de Turim e no edifício símbolo da cidade – a Mole Antonelliana (no seu interior, o fabuloso Museu Nacional do Cinema).

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– Um dos cafés imperdíveis, no interior da Galleria Subalpina, a lembrar muito uma certa atmosfera parisiense.

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– Por dentro…

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– A cúpula da Mole Antonelliana.

Assim como gosto muito de partir e de estar noutros lugares, também sou feliz no regresso a casa, a tudo o que ela significa. Gosto particularmente do outono na minha cidade: das cores, das ruas e praças mais desimpedidas da agitação do turismo de verão, dos canais menos povoados de moliceiros repletos de sofreguidão ruidosa dos visitantes ocasionais.

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– As árvores outonais num jardim perto de casa.

Foi um ano também muito feliz aqui no blogue. Mais leitores, mais visitantes, mais seguidores. Foram quinze os textos que escrevi e muitas as fotografias que partilhei. Diz o relatório anual da wordpress que o dia com mais visitantes foi 5 de outubro, tornando o texto “Ausência escreve-se com I” o mais lido. Curiosamente as palavras mais visitadas durante todo o ano foram as que se referiam a uma viagem de 2011, pelo norte de França – “Chão – um itinerário”.

Muito obrigada a todos os leitores, visitantes, amigos que leem e comentam também fora deste espaço. Os meus votos de um 2016 muito feliz, à medida dos desejos de cada um… E que traga mais destinos e memórias boas de (re)viver.

 

ASM

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