Casa em Turim

Turim, Itália

Cheguei a Turim por terra, de comboio. É, aliás, a forma de entrada numa cidade que mais me agrada. E a viagem Milão-Turim de comboio oferece paisagens lindas. Lembro-me bem da planície padana a perder de vista com os seus arrozais. Desci para a cidade na estação de Torino Porta Susa, intervencionada recentemente por uma equipa de arquitetos, que renovou a antiga estação (existente desde a segunda metade do século XIX) tornando-a num espaço moderno de comunicação rápida com várias partes de Itália. Os comboios mais velozes do país chegam e partem daqui.

Estação Torino Porta Susa.]
Estação Torino Porta Susa.

Gosto muito de estações ferroviárias e o comboio é o meu transporte de eleição, muito por causa da sua eficácia e do conforto. Além disto, porque permite fazer muitas coisas durante a viagem: ler, fotografar, observar o dentro e o fora, ouvir e conversar com outros passageiros, planear itinerários no destino, antecipar intenções e desejos.

A primeira coisa que se reconhece de Turim das janelas do comboio é a Basílica de Superga, projetada por Filippo Juvarra (um siciliano de Messina) e terminada em 1731. Localizada no topo de uma das colinas que rodeiam a cidade, é bem visível ao longe. Ia crescendo ao meu olhar, à medida que o comboio avançava.

Torino Porta Susa, a porta por onde saí da estação e que se abriu sobre a cidade.
Torino Porta Susa, a porta por onde saí da estação e que se abriu sobre a cidade.

Depois de deixar a estação havia que encontrar a rua do B&B que escolhi para a minha estadia. O B&B Via Stampatori foi um achado feliz, que se confirmou e ultrapassou as expectativas. Foi uma escolha imediata assim que vi, num site de alojamento Bed & Breakfast, as imagens e li a história do edifício. Ainda procurei por outras hipóteses, mas nenhuma me cativou como esta primeira. A sua fachada repleta de janelas do antigo palácio dá para uma artéria sem trânsito. Antes de me concentrar no fora, quero falar do interior da “minha” casa durante aqueles dias em Turim.

 A entrada do B&B onde fiquei alojada durante 4 dias.
A entrada do B&B onde fiquei alojada durante 4 dias.
Palazzo Scaglia di Verrua, na via Stampatori, n.º4.
Palazzo Scaglia di Verrua, na via Stampatori, n.º4.
O pátio interior.
O pátio interior.
Fachada em redor do pátio.
Fachada em redor do pátio.

Concentra agora em redor do espaço retangular no seu interior um conjunto de casas particulares e o B&B Stampatori. Este último é gerido por um casal que também ali vive e que, por isso, acompanha de forma muito próxima e familiar todos quantos os que escolhem aquela sua casa para um breve “soggiorno torinese”. Decoraram aquele espaço de forma discreta, com elementos de artistas locais e outros, de um conforto minimalista irrepreensível e muito acolhedor. Fora dos quartos (que são poucos) existe uma sala de refeições comum, uma outra que também serve para estar e desfrutar do silêncio, apesar do estarmos no coração da cidade.

A sala comum e dois dos quartos. O meu era o da direita.
A sala comum e dois dos quartos. O meu era o da direita.
Uma outra sala da casa. O candeeiro sobre a mesa e a janela que dava para o pátio.
Uma outra sala da casa. O candeeiro sobre a mesa e a janela que dava para o pátio.
A mesma sala onde se podia ouvir boa música, se o desejássemos.
A mesma sala onde se podia ouvir boa música, se o desejássemos.

Eu passava o dia fora, por isso o tempo do pequeno-almoço era prolongado e desfrutado ao máximo. Escolhia o espaço dessa refeição de acordo com o tempo que se anunciava no exterior ao início de cada dia. Sempre que havia sol, o que aconteceu quase todos os dias, a escolha recaía na varanda corrida com vista para o pátio do palácio e assim tinha os frescos como cenário. Não me cansei de os olhar e de os fotografar. Representam figuras de um imaginário antigo, outras possivelmente retratam os antigos proprietários.

Tudo isto ao sabor de um sumo de laranja, fruta, iogurte e café…

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Descia depois para o exterior. Estava no terceiro andar do edifício, onde não há elevador. Ainda bem, pois as escadas eram lindas de subir e de descer e por vezes cruzava-me com vizinhos de uma simpatia e cordialidade sonantes no seu italianíssimo “buongiorno!”.

O que via durante a descida...

A vista da mesa dos pequenos-almoços.

Descia depois para o exterior. Estava no terceiro andar do edifício, onde não há elevador. Ainda bem, pois as escadas eram lindas de subir e de descer e por vezes cruzava-me com vizinhos de uma simpatia e cordialidade sonantes no seu italianíssimo “buongiorno!”.

A vista da mesa dos pequenos-almoços.
O que via durante a descida…

Até à porta do palácio havia que atravessar o “cortile” e mais uma vez apreciar os frescos, desta feita de baixo para cima. Chegar à porta imponente por dentro e por fora. Adorei os seus pequenos detalhes: a cor da madeira, as várias fechaduras, a luz que entrava pela parte superior, os animais estranhos na base.

F12_Casa_Turim(1)F13_Casa_Turim(2)No exterior, não era raro encontrar pessoas que por ali passavam e que paravam para admirar a fachada. Depois de fechar a grande porta atrás de mim, tinha à minha frente um dia promissor de descobertas.

A localização do B&B dentro do chamado “quadrilatero romano”, que compreende a área interna das muralhas romanas, permitia-me ir a pé para os principais pontos de interesse da cidade: entrava na via Garibaldi (na traça bem remota da cidade o antigo “decumano maximo”) que me levava em poucos minutos à piazza Castello (com o Palácio Real e o Palácio Madama).

A via Garibaldi vista da varanda do Palazzo Madama.
A via Garibaldi vista da varanda do Palazzo Madama.
O Palazzo Madama à noite.
O Palazzo Madama à noite.
A Piazza Castello. À esquerda, parte do palácio Real de Turim.
A Piazza Castello. À esquerda, parte do Palácio Real de Turim.
Outra praça de Turim que conheci logo no primeiro dia – piazza Carignani. Foi aqui que parei para o meu primeiro gelado italiano de 2015.
Outra praça de Turim que conheci logo no primeiro dia – piazza Carignano. Foi aqui que parei para o meu primeiro gelado italiano de 2015.

Deixei Turim saindo pela mesma porta por onde entrei – a estação de Porta Susa, rumo a Santa Lucia, em Veneza. Uma outra casa esperava-me.

F18_Casa_TurimDurante a viagem pude conhecer uma abordagem de Turim muito curiosa: o autor, natural da cidade, analisa-a histórica, social e culturalmente tendo como base a metáfora da casa. É um delicioso e muito bem humorado guia de Turim e nós percorremos os capítulos (cada um com um nome de uma divisão doméstica) como se caminhássemos na nossa casa, que nos revela os seus segredos, caprichos e as suas mais recentes mudanças: Torino è casa nostra, Giuseppe Culicchia, Editori Laterza.

F19_Casa_Turim

ASM

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