Formas simples

+ do que 1

Já aconteceu oferecer fotografias a quem quero bem. Como formas de dizer isso mesmo. Também para assinalar um aniversário, celebrar uma amizade, como forma de gratidão.

Aconteceu também em plena viagem: porque me lembro de alguém em determinado sítio, porque tenho vontade de partilhar o que estou a (vi)ver, porque sei que o destinatário vai gostar de me saber ali. E quando acontece, as novas tecnologias ajudam a encurtar distâncias e a eliminar trajetos paralelos para a imagem que desejo rápida até ao seu destino.

Em Marrocos, quando me preparava para ir passar uma noite no deserto, enviei uma fotografia ao meu irmão mais novo, pois fazia anos nesse dia. Foi uma imagem muito parecida com esta, numa aldeia próxima de Merzouga, já com os meus olhos nas dunas douradas.

Marrocos.
Marrocos.

Para a minha amiga B. já escolhi várias fotos que se transformaram em tampo de tabuleiro (as últimas eram quatro instantes de Veneza), molduras e postais de aniversário. Esta trouxe-a da Provença e achei que ela ia gostar muito. Não me enganei. Coloquei numa moldura este aroma de lavanda à entrada de uma loja de chás, flores e sabonetes em St.Paul de Vence.

St.Paul de Vence, Côte d'Azur.
St.Paul de Vence, Côte d’Azur.

Com a B. aprendi a gostar ainda mais de Lisboa e com ela descubro, cada vez que lá vou, novos lugares da cidade. Tiramos muitas fotos. Digo “tiramos”, porque muitas imagens captadas por mim resultam de sugestões dela: porque sabe que adoro fotografar e porque ela adora Lisboa. Da minha última “colheita” lisboeta pediu-me esta fotografia, tirada no Miradouro de São Pedro de Alcântara.

Lisboa.
Lisboa.

Durante a minha viagem pela Sicília senti-me perto de um país onde ainda não fui e que quero tanto conhecer: a Grécia. Geograficamente falando era uma evidência, nunca tinha estado tão a sul na Europa. Era também inevitável não me sentir próxima de um imaginário clássico e antigo, dado o número de vestígios helénicos na ilha. Em Taormina, emocionei-me perante a beleza do teatro grego e do seu enquadramento. Estavam a preparar e a ensaiar um espetáculo para a noite – “Cavalleria Rusticana”, de Pietro Mascagni. Sentada nos degraus que são cadeiras, a olhar o mar Jónico, ainda consegui ouvir alguns sons antecipados. O cenário estava a ser montado.

Enviei uma fotografia parecida com esta, por telemóvel, a um amigo que eu sabia que ia gostar. Porque também quer muito conhecer a Grécia e sobre isso e muito mais já falámos. Foi tirada naquela tarde quente de verão.

Taormina, Teatro Grego. Ao fundo, à direita da imagem, repousa o Etna...Aqui está um pouco escondido.
Taormina, Teatro Grego. Ao fundo, à direita da imagem, repousa o Etna…Aqui está um pouco escondido.

Cada foto tem bastidores que gosto de desvendar a quem a ofereço. Desejos, motivações e histórias coladas a elas. Partilho isso também. Quem me conhece bem sabe que para mim é importante.

Há também o outro sentido das imagens. O das que me chegam. Daquelas que me oferecem e que eu tanto aprecio. Escolhidas para mim, com o cuidado que eu também ponho nas minhas quando as seleciono. Não importa se já conheço o que é retratado, se já lá estive. Porque o olhar é outro e há sempre qualquer coisa que se revela. Do que é retratado e da pessoa que olha. Também por isso gosto tanto que escolham fotografias para mim.

Já este ano recebi de um amigo de Turim fotos de Budapeste. Tinha passado lá uns dias e confirmou o fascínio que tinha pela cidade à qual volta muitas vezes. O R. enviou-me imagens do seu itinerário pessoal, que adorei (re)conhecer.

Tenho uma muito parecida com esta, tirada desde o Bastião dos Pescadores, a ver-se a outra margem do Danúbio com o magnífico edifício do Parlamento.
Tenho uma muito parecida com esta, tirada desde o Bastião dos Pescadores, a ver-se a outra margem do Danúbio com o magnífico edifício do Parlamento.
A Ponte das Correntes. Tão bonita...
A Ponte das Correntes. Tão bonita…
Gostei particularmente desta, que retrata a entrada da pastelaria Gerbeaud. Eu não a fotografei quando lá estive, mas escrevi sobre ela aqui: https://cartografiapessoal.wordpress.com/2012/01/29/um-sitio-em-pest/ ]
Gostei particularmente desta, que retrata a entrada da pastelaria Gerbeaud. Eu não a fotografei quando lá estive, mas escrevi sobre ela aqui: https://cartografiapessoal.wordpress.com/2012/01/29/um-sitio-em-pest/
Não sei onde fica este jardim. Mas já gosto muito dele.
Não sei onde fica este jardim. Mas já gosto muito dele.

Há pouco mais de semana o M., que conheci em Veneza, mandou-me uma seleção de imagens de ilha de Burano, onde eu ainda não fui. Ele conhece muito bem Veneza. Decidiu há três anos que esta cidade teria de figurar, anualmente, no seu mapa. E assim tem sido, para continuar.O M. é francês, de Paris, com uma história familiar que passa por Espanha. Os seus dias venezianos são marcados por aulas de italiano, visitas a museus, a igrejas e às praias do Lido. As ilhas da laguna, como Torcello, Murano e Burano, já mereceram mais do que uma visita. Foi de uma delas que escolheu as suas melhores fotografias. Conheço Burano pelos olhar do M. e pelas suas palavras. Quando lhe disse que gostaria de as ter aqui, ofereceu-me ainda algumas das suas notas sobre elas. Ainda mais feliz e grata fiquei.

Escreveu as notas em italiano. Traduzi-las não foi difícil, já que me reconheci em alguns pontos que destaca na imagem e no texto. Andámos os dois pelas ruas e praças de Veneza em busca de pontos de interesse fotográfico. Coincidimos na escolha de alguns motivos, ângulos e distâncias para o registo.
Aqui ficam então as imagens de Burano pelos olhos do M..

«Fotografias de Burano, famosa ilha de pescadores, situada a norte da laguna de Veneza, rodeada de paludes, de pequenas ilhas e de reservas naturais. Durante a semana, enquanto os homens partem para a pesca, as mulheres trabalham nas suas rendas e bordados em frente à porta de casa.”

F9_formas_simples(1) id1Ao longo dos canais, que se abrem ao horizonte, veem-se as casas pintadas de diferentes cores, todas muito vivas e resplandecentes, sobretudo vermelhas, azuis, cores terra de Siena: o amarelo, o laranja ou o rosa. É o paraíso para os pintores e fotógrafos.

F10_formas_simples(1) id1F11_Formas_simles(1) id1F12_Formas_simples(1) id1A meio do dia, especialmente no verão, a vida é marcada pelo ritmo das coisas simples. Aos domingos, os barcos estão ancorados, a roupa estende-se e seca ao sol, os gatos e alguns jovens passeiam, as fontes são procuradas pelos turistas e pelos pássaros.» M.K.

F13_Formas_simples(1) id1F14_Formas_simples(1) id1

Obrigada, R. e M.! Grazie mille!

ASM

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