Grata

«A maioria das viagens, e certamente as mais recompensadoras, envolve dependência da amabilidade de estranhos, pormo-nos nas mãos de pessoas que não conhecemos e confiar-lhes a nossa vida.» (Paul Theroux, Comboio Fantasma para o Oriente, in A Arte da Viagem)

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Muito grata por me lerem aqui, por me acompanharem. Por esta via ou de mais perto. Muito obrigada pelas palavras, pelas felicitações, pelas críticas, partilhas, por tudo o que já aconteceu a propósito deste espaço … Há já três anos. Cumpridos no passado dia três. Uma data que não é a mesma no meu calendário pessoal, desde que a ideia se materializou no texto inaugural. A medo, com dúvidas, hesitações. Um primeiro texto com a marca de um início: aqui e no meu mapa interior (https://cartografiapessoal.wordpress.com/2011/04/03/paris-%E2%80%93-a-primeira-de-todas/).
A seguir a Paris vieram outros destinos, recuperados da memória mais ou menos recente. Sem preocupação da fidelidade à linha do tempo. A memória é desorganizada e muito vulnerável a estímulos tão diversos como um aroma, uma imagem, um sabor, uma palavra lida algures, um desejo emergente ao conhecer atlas alheios. Palavras têm vindo a dizer esses percursos, leitores deste blogue têm acompanhado estas linhas nómadas. Muito obrigada, muito obrigada, muito obrigada…

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«A viagem, que é vista quase sempre como uma tentativa de fugir ao eu, é, em minha opinião, o contrário. Nada induz concentração ou inspira recordações como uma paisagem alheia ou uma cultura estrangeira. Simplesmente não é possível (como pensam os românticos) perdermo-nos num lugar exótico. É muito mais provável uma experiência de nostalgia intensa, de recordação de uma fase anterior da nossa vida, ou de ver claramente um erro grave. Mas isso não acontece a ponto da exclusão do presente exótico. O que torna toda a experiência vívida e por vezes emocionante é a justaposição do presente e do passado.» (Paul Theroux, The Happy Isles of Oceania , in A Arte da Viagem)

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Pudesse eu escrever a gratidão em todas as línguas que me leem…Isto porque , segundo estatísticas do blogue, só no último ano de vida estes lugares foram visitados por leitores de 52 países.

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Sendo que no “Top 10” constam por esta ordem: Portugal, Brasil, Estados Unidos, Espanha, Argentina, Itália, França, Alemanha, Canadá e Reino Unido. Avançando na lista até aos últimos lugares, ocupados pelos países com menos leitores, aparecem Tanzânia, Congo, Singapura, Egito, África do Sul, Mongólia e , bem no fim, a Ilha de Jersey…No dia em que me apercebi de que alguém se cruzou com as minhas palavras naquela ilha, tinha voltado há pouco da Bretanha, de onde, olhando o mar, quase pude imaginar os seus contornos ao longe… De Saint-Malo, onde eu estive por uns dias, partiam ferries rumo a esta ilha da Coroa Britânica.

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3anos_F3Praia de Saint-Malo, França

Calculo que muitos olhos que por aqui passam se fixam apenas nas fotografias. Ou nem isso, porque a coincidência do encontro com os meus textos foi fruto de um acaso e rapidamente saltam para outras páginas, em busca do que procuravam. Ainda assim, grata.

A wordpress no seu relatório anual (chega sempre à minha caixa de mail, no último dia do ano) fez-me também imaginar o metro de Nova Iorque, onde eu nunca andei. Para me dar conta dos números, das possibilidades aleatórias das estatísticas dos olhares mais ou menos fugazes que por aqui passam, levou-me a pensar nas minhas palavras a viajarem de metro, a percorrerem sete vezes as suas rotas pela cidade que nunca dorme, para assim perfazerem o número de visitantes num ano.

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Existir também aqui exigiu de mim uma atenção diferente, um cuidado novo na (re)construção das memórias felizes. Estes três anos também me deram a conhecer outros blogues sobre viagens, de viajantes cuja vontade de partilha eu compreendo tão bem. Alguns deles passei a conhecer pessoalmente, outros ainda não, apesar das afinidades, por vezes visíveis nos comentários que aqui deixam generosamente. Grata por essas palavras, também.

Este espaço mapeado vai continuar. Muito por causa da bondade dos leitores,alguns deles estranhos de passagem, que por isso fazem parte deste mapa pessoal. Também porque os meus dias deixaram de ser os mesmos desde o exato momento em que passei a viver e a construir-me também aqui.

3anos_F5Portobello Road, Londres

«A viagem é muito mais recompensadora quando deixa de ter que ver com a nossa chegada a um destino e se torna indistinguível de vivermos a nossa vida.» (Paul Theroux,Comboio Fantasma para o Oriente, in A Arte da Viagem)

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Intercaladas com o meu texto, palavras de Paul Theroux, que me ajudaram a dizer a gratidão e o que mais justifica esta cartografia.

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ASM

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