Uma promessa e uma galeria

Londres, Reino Unido

Galeria londrina

Entrada

Era uma promessa já com muito tempo, depois de muitas conversas sobre a cidade, as suas atrações mais imediatas e de postal. Mas também acerca da sua agitação constante, vibrante de vidas oriundas de todo o mundo, que fazem de Londres a cidade de muitas caras e línguas, tornando-a uma Babel meticulosamente organizada.

Queria ser eu a planear a viagem dos dois e a apresentar-lhes a cidade. Aconteceu. No verão passado, os meus pais conheceram Londres pelos meus olhos. O itinerário estava há muito ancorado nas minhas memórias, às quais acrescentei desejos, expectativas, preferências dos três. Tinha ido a Londres há 20 anos e fui acompanhando algumas novidades de longe. Foi também por isso com muito entusiasmo que regressei. Queria também entusiasmá-los. Não foi difícil. Primeiro, porque Londres é uma cidade inesgotável, depois porque os conheço bem, ao ponto de adivinhar o que mais os interessaria. E os dias que lá passámos foram uma sequência de (re)descobertas.

A chegada foi marcada pela chuva. Pouca, mas persistente. Nos dias seguintes, o sol não nos largou e a sua intensidade e calor surpreenderam bastante os londrinos com quem falámos. Por aqueles dias de fim de agosto, o costume é o céu de outono.

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As salas

Sala do bairro

No primeiro dia, ainda houve tempo para uma caminhada pelas imediações do bairro onde ficámos alojados. O bairro (Pimlico, City of Westminster) era muito sossegado e ficava perto da estação de comboios de Victoria. Uma grande vantagem, pois dali poderíamos tomar inúmeras direções que nos levariam aos nossos destinos. Além disso, pudemos apreciar a agitação constante que rodeia esta estação ferroviária e que contrastava com o nosso bairro, sempre tão calmo, fosse a que horas fosse.

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Gostámos particularmente de sentir as rotinas dos seus habitantes, que começavam logo pela manhã, bem cedo, e que se cruzavam com a nossa matutina vontade de descoberta de outros bairros londrinos. Invariavelmente, passávamos pela bonita igreja de S.Gabriel e pela verdejante e ajardinada Warick Square.

Depois da chegada, aproveitámos o resto do dia para visitar a catedral de Westminster, a maior igreja católica romana de todo o país, que fica perto das imediações do bairro. Ficaram-me na memória a fachada em estilo neo-bizantino e os maravilhosos mosaicos no interior, naquele dia iluminados pela luz das velas e provenientes de algumas lâmpadas espalhadas pela nave, das quais irradiava uma luz suave.

London_F4(1)Catedral de Westminster

Não chegámos a sair da cidade durante a nossa estadia. Se o tivéssemos feito, seria com certeza a partir de Victoria, de tantas hipóteses de fuga que nos dava.

London_F5 id1Estação ferroviária de Victoria

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Sala do 1.º dia – domingo

Os dias começavam bem cedo e para o primeiro escolhi mostrar um museu de que me lembrava muito bem. Não só pelo seu magnífico exterior edificado e verde, mas também pelo seu interior imenso, com salas a seguir a salas, corredores a ligá-las.

O caminho até ao museu foi percorrido, em grande parte, a pé. Que bem que soube a caminhada nessa manhã. Pelo meio, espreitámos as lojas, os cafés, os mews (eram as antigas cavalariças, agora reabilitadas e transformadas em pátios, becos, para onde dão as casas), as montras e os jardins de um verde escuro e brilhante, muitos fechados, porque era domingo e era cedo. Fizemos uma grande caminhada nesse dia. Passámos pelo Harrods que, àquela hora da manhã, se preparava para abrir. Seguimos, pois queríamos muito o museu.

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Pelo caminho, calcorreámos Brompton Road, o que me agradou particularmente. Gostei dos seus passeios largos, com árvores frondosas e bancos espalhados pelas suas sombras. Entrámos no Brompton Oratory. Fiz questão disso. Muito devido ao facto de dar nome a um tema de Nick Cave, um dos meus preferidos do álbum The Boatman’s call, do qual me lembrei já dentro da igreja e com ele olhei o interior de pedra escura.

London_F9(1) id1Brompton Oratory

Já no museu de História de Natural, dedicámos bastante tempo a desfrutar da beleza, da magnificência da entrada…Impressionou-me tanto como da minha primeira vez. A escadaria imponente, as paredes entrecortadas por arcos e colunas, a luz filtrada, a pedra escurecida pelo tempo, tudo isto sob o olhar magnificamente branco de Darwin. E o enorme dinossauro que se eleva ao nosso olhar. As fotos seguiram-se uma às outras. Foi difícil pôr um travão ao meu desejo de registo visual dos detalhes daquela antecâmara do que este museu reserva a visitantes de todas as idades, interesses e expectativas.

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A verdade é que passámos lá grande parte do dia. E soube a pouco. É daqueles lugares aos quais se volta sempre com o mesmo entusiasmo. Enquanto os meus pais visitaram algumas galerias reservadas às exposições permanentes, eu aproveitei para visitar uma exposição temporária: a de fotografia, por Sebastião Salgado – Genesis. Uma mostra de imagens captadas em vários lugares do planeta. Invariavelmente a preto e branco. Ainda mais impressivas.

London_F14 id1Logo à entrada, pude ler…

«Genesis is a quest for the world as it was, as it was formed, as it evolved, as it existed for millenia before modern life accelarated and began distancing us from the very essence of our being. It is a journey to the landscapes, seascapes, animals, and peoples that have so far escaped the long reach of today`s world. And it is testimony that our planet still harbours vast and remote regions where nature reigns in silent and pristine majesty.

Such wornders are to be found in polar circles and tropical rainforests, in wide savannahs and scorching deserts, on glacier-covered mountains and solitary islands. Some regions are too cold or arid for all but the hardiest forms of life, others are home to animals and ancient tribes whose survival depends on their isolation. Together, they form a stunning mosaic of nature in all its unspoiled grandeur.

Through these photographs, Genesis aspires to show and to share this beauty. It is a visual tribute to a fragile planet that we all have a duty to protect.»  –  Lélia Wanick Salgado (curadora da exposição)

Uma grande viagem através do olhar inconfundível de Sebastião Salgado, pelas inúmeras formas de vida que habitam a nossa casa, que é o planeta. Uma viagem que é também um grito de apelo para uma maior responsabilização e comprometimento de cada um perante a urgência da preservação do que ainda existe e resiste. Territórios onde o silêncio impera. O nosso olhar espanta-se com a beleza e a força das imagens. Vemos a natureza que respira longe das cidades, das multidões, do ruído ensurdecedor. Paisagens intocadas, lagos, desertos, montanhas e vulcões. Animais, homens e plantas que nunca vira e dos quais nem sabia o nome.

Esta foi uma das minhas preferidas…

London_F15Sebastião Salgado

London F16Sebastião Salgado

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Ver mais aqui: http://guia.uol.com.br/rio-de-janeiro/exposicoes/noticias/2013/05/24/exposicao-gratuita-traz-mais-de-200-imagens-de-sebastiao-salgado.htm#fotoNav=1

E aqui: http://lightbox.time.com/2013/03/28/in-the-beginnings-sebastiao-salgados-genesis/#end

Nick cave a cantar “Brompton oratory”:

https://www.youtube.com/watch?v=qDxXJzbkA7U

.

[Continua…]

.

ASM

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2 thoughts on “Uma promessa e uma galeria

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