Cartoline di Firenze (parte 2)

Florença, Itália

Mais postais da cidade que se dá, que se desvenda a cada “via”, “vicolo”, “piazza” e “facciata”. Da cidade que tem dentro de si duas: uma de cada lado do rio Arno”. Muito diferentes entre si, mas que se completam. E depois há ainda outra, a cidade que se esconde. Sobre estas três Firenze ainda hei de escrever. Para já, “le cartoline”.

 

Piazza della Signoria, o centro político e administrativo de Florença. O coração palpitante da cidade. Fim de tarde. Na sombra em primeiro plano, em frente ao Palazzo Vecchio (à direita, residência da administração de Florença desde quase sempre), o imenso Hércules e Caco (Ercole e Caco) de Baccio Bandinelli.

David: a cópia e a sombra. O original de Miguel Ângelo está na Galleria dell`Accademia. A sua primeira morada foi no Duomo. Transportá-lo para a piazza demorou quatro dias e custou a destruição de algumas paredes da Opera del Duomo. David permaneceu no coração de Florença, à vista e ao alcance de todos até fins do século XIX, quando se decidiu realojá-lo num local mais seguro, que o protegesse das intempéries e da mão humana, que também pode ser destruidora. A mudança foi devidamente planeada e foram construídos carris que ligavam a Piazza della Signoria ao novo espaço de David, na Accademia di Belle Arti. A viagem durou sete dias de extremo cuidado, com este corpo de mármore dentro de uma espécie de carruagem, de modo a que esta formidável escultura não sofresse com a trepidação ou algo imprevisto. Mais tarde, em 1910, foi inaugurada a cópia de David em mármore na piazzaque já não conseguia suportar a sua ausência.

Fui visitá-lo à Academia, mas não o fotografei. Não pode ser fotografado, apenas admirado. Ocupa um lugar muito luminoso. Junto dele, vi um sistema sofisticadíssimo de monitorização do estado da escultura, minuto a minuto, hora a hora, dia após dia. Assim previnem-se fissuras, alterações, desgastes…

 

As omnipresentes vespas. Alinhadas ao longo do rio Arno. Ao fundo, a Ponte Vecchio. Antes disso, a entrada para o Museu Galileu. As escolhas em Florença, no que diz respeito a museus, são particularmente angustiantes, sobretudo quando se tem pouco tempo e muitas vontades, por isso ainda não foi desta vez que visitei este espaço, que alberga os instrumentos e as invenções de Galileu. Na última noite na cidade, conheci um casal de americanos que me falou entusiasticamente deste museu, mostrando as fotografias que tiraram junto de telescópios, de instrumentos para medições, para observação, de balanças e de pêndulos deste cientista natural de Pisa. Da próxima vez em Florença, não me vou esquecer deste museu.

No interior da igreja de Santa Croce, o túmulo de um admirável florentino: Michelangelo Buonarroti. Na verdade faleceu em Roma, em fevereiro de 1564, mas os seus compatriotas resgataram o seu corpo para aqui o celebrarem para sempre, em formas de mármore e de três mulheres, que representam três das artes em que mais se destacou: escultura, pintura e arquitetura. Por cima delas, o busto de Miguel Ângelo (aqui apenas se vê uma parte).

Mais uma vez, a Ponte Vecchio, que fotografei a diferentes horas dos dias. Esta imagem fixa-a às primeiras horas de uma manhã, quando o sol permite este reflexo no rio. Deste lado da ponte, as janelinhas todas iguais no nível superior pertencem ao corredor vasariano (Corridoio Vasariano), que foi batizado a partir do nome do seu criador: Giorgio Vasari. Em 1565 termina este corredor que permitia a Cosimo I de`Medici chegar aos Uffizi desde o seu palácio, o Palazzo Pitti, de forma direta e discreta.

A mesma ponte ao fim da tarde, do lado da ponte de Santa Trinita, que permite ver esta face, sem o Corridoio.

«A troca». Seria este o título que daria a esta fotografia. Algumas moedas em troca de ervas aromáticas frescas para perfumarem um prato de cozinha toscana. Um elegante italiano, na sua bicicleta, ao fim da manhã, regressa ao mercadinho na Piazza Santo Spirito, em frente da igreja com o mesmo nome. O chapéu sugere o calor implacável que estava. Felizmente há árvores em redor desta praça. Muitas delas são oliveiras.

Numa das noites em Florença, um concerto na Loggia dei Lanzi, com a música e o público a disseminarem-se pela Piazza della Signoria. Uma orquestra de jovens da Irlanda (Cork Youth Orchestra), que há muito tinha o sonho de tocar precisamente aqui. Segundo as palavras do maestro, durante dois anos angariaram fundos para poderem concretizar esse sonho. Ainda me lembro das sonoridades da gaita de foles.

A cidade desde o Piazzale Michelangelo. Talvez a vista mais desejada por quem visita a cidade. Ao entardecer de um sábado.

Nesta foto, a mesma realidade e a sua representação. Para exercícios de reconhecimento. De todos quantos procuram aqui eternizar a imagem que levam/têm de Florença. Para isso procuram o melhor lugar. E ficam. Até o sol desaparecer por completo no horizonte das colinas toscanas. Foi o que fiz. Só deixei esta margem do rio depois de muitas fotografias e da luz do sol se ir embora até ao outro dia.

Continua…

ASM

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