Memórias e experiências doces…

Áustria, Hungria, Espanha

Experiências que se tornaram obrigatórias, depois de ter lido sobre ou de me ser sugerida a ida até estes sítios. Nalguns casos bastou a referência à época da fundação, noutros as descrições dos ambientes que lá se podiam viver. Um ponto comum os aproxima: a experiência sensorial associada. E não só a visual, que se perde nas cores, nas luzes e nos vestígios doutras épocas, também a olfativa , auditiva e gustativa. E ainda a memória doce que permanece de cada um.

. com chocolate

– Café Sacher – Innsbruck, Áustria

Começo pela memória doce mais recente. Com chocolate, natas e compota de alperce para o recheio, a darem corpo a uma receita que nasceu em 1832 das mãos de Franz Sacher. Memória do verão passado, em Innsbruck, na forma de uma torta chamada “Sacher”. A torta é coberta por chocolate e é servida com chantilly. Apesar de parecer, não é muito doce.

A torta deu o nome ao café. Um café que é feito de memórias. Nas suas paredes, os retratos de visitantes famosos, que se destacaram na música, cinema, literatura, pintura, política, filosofia.

Ali, há mesas para quem quer almoçar, tomar um chá, um café e provar a famosa torta ou outro doce da casa centenária, fundada em Viena. Pode apenas sentar e ler o jornal que se encontra à disposição. Sozinho ou acompanhado. Vi vários clientes com os seus cães, que também eram servidos, mas com outro tipo de iguarias.

As janelas do Sacher Café em Innsbruck dão para uma das ruas da cidade mais movimentadas. Mas lá dentro a calma impera e o silêncio ouve-se. O bulício dos turistas agitados parece distante, depois de se entrar ali.

Ligação: http://www.sacher.com/en-sacher-cafe.htm

. com café

– Café New York – Budapeste, Hungria

Aqui Nova Iorque é dourada e brilhante. Muito luminosa, mesmo quando lá fora o céu está cinzento. De Nova Iorque, a verdadeira, dizem que é a cidade que nunca dorme; daqui, digo que a luz dourada se propaga com a cumplicidade dos grandes espelhos, que são inúmeros. As galerias lembram um teatro, onde o espetáculo nunca chega ao fim.

No entanto, apesar da exuberância muito barroca, o ambiente é sereno. Ajuda muito a música ambiente, que sai de um piano logo à entrada. E a calma dos movimentos de todos – dos empregados, dos clientes.

Nova Iorque em Budapeste é um café e restaurante, que fica situado num conjunto ao qual pertence ainda o Hotel Boscolo. Fui lá num fim de dia na cidade. Cheguei depois de uma longa e reconfortante caminhada e lembro-me que o que mais me apetecia era algo quente com café. Estava a precisar de cafeína. E então pedi um cappuccino, conseguindo resistir a um gelado ou um bolo húngaro (por tradição com várias camadas alternadas com recheio). Era o que me apetecia naquela tarde: café, sentar e estar. Sem planos para o momento seguinte. Foi o que aconteceu, até a noite chegar às ruas de Budapeste.

Ligação: http://www.newyorkcafe.hu/eng/

. com ovos e açúcar

– Caelum- Barcelona, Espanha

«Bienvenidos al cielo»

Um espaço que passa despercebido a quem deambula pelas ruinhas que rodeiam as Ramblas. Isto porque as janelas têm cortinas e a entrada é muito discreta. Entra-se para o piso térreo, mas o verdadeiro “caelum”, curiosamente, fica sob a terra – em baixo, num piso subterrâneo. Então descemos por uma espécie de alçapão, que se percebe de imediato que é muito antigo, por umas escadinhas que vão dar à sala de chá. Aqui, as paredes são de pedra e não há janelas, apenas pequenas aberturas para o exterior, por onde escoa pouca luz, mesmo nas horas mais solares do dia. Acho mesmo que era essa a intenção, tornar o espaço escuro, fresco e silencioso. De um recato quase monástico, de um silêncio apenas entrecortado pelo tilintar dos talheres que cortam bolos, dissolvem o açúcar no chá ou no café ou pelo sussurrar das conversas das mesas, que nunca têm mais do que quatro pessoas.

De que é feito este céu, então? De bolos e biscoitos que obedecem a receitas antigas, criadas e aprimoradas em muitos dos mosteiros que pontuam o mapa da Catalunha e de outras regiões espanholas. De compotas, mel, chás e licores que, na sua natureza líquida, são o resultado de uma ancestral alquimia de monges e freiras , guardiões de segredos doces. Ainda de azeites e vinagres que contêm em si ingredientes improváveis: ervas, flores, canela, eucalipto…

Destes espaços isolados, silenciosos e habitados por monjas carmelitas, clarissas e monges beneditinos chegam os segredos, servidos nas mesas das conversas sussurradas.

Ligação: http://www.caelumbarcelona.com/contingut/index.php?&id=cas

ASM

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4 thoughts on “Memórias e experiências doces…

  1. Hummm…! Es duro, por la mañana, sentarse ante el ordenador y leer sobre cafés europeo con olor a sabrosos pasteles, dulces y a café. Y evocar libros, tertúlias… Uno se imagina ya sentado en esas salas, tomando un café, y otro, y leer unas páginas más, y asi hasta que el día transcurre plácido y amable.

    Have años viví a pocos metros de Caelum. ¡Que tentación! Hecho que no dejaba de ser curioso para una tienda que vende pasteles, dulces y otras exquisiteces elaboradas por manos monacales. ¡La tentación de los claustros!

  2. Oi minha flor,
    Este post reflete a doçura de pessoa que você é.
    Continue assim detalhista e cuidadosa como uma bordadeira de palavras. Este é teu estilo. Esqueça tudo o que eu te disse anteriormente. Teu blog é perfeito.
    Saudades de você e da minha querida Aveiro!

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