Vigeland: toda a vida em formas de pedra

Oslo, Noruega

Não sei como qualificar Vigeland…porque é um parque público, um jardim geometricamente cuidado, um museu ao ar livre, uma avenida que se abre para a cidade…E é também a obra da vida de um homem que quis dizer a vida de todos os homens e mulheres – Gustav Vigeland, o escultor, que encontramos logo à entrada do seu mundo de pedra, com um dos seus instrumentos de trabalho nas mãos.

E tratou-se de um trabalho meticuloso, demorado e cientificamente fundamen- tado : o escultor reproduziu, nas suas inúmeras estátuas de corpos inteiros, todos os caminhos de um tempo de uma vida – a notar-se nos músculos, nos rostos, no olhar, esculpidos na textura das pedras escolhidas. Porque se encontram estátuas de corpos e de rostos de todas as idades no parque: crianças, meninos e meninas, jovens, adultos, velhos…e também um feto ainda no útero, no centro de uma recinto circular, rodeado de verde e próximo de um lago, como se o verde e a água dissessem tudo sobre a fertilidade. A escultura «A roda da vida» (Livshjulet) sintetiza o parque e a obra, já que nela vemos homens, mulheres e crianças (re)unidos num círculo que eterniza os seus laços.

Percorre-se o parque e caminha-se pela vida de homens e mulheres: que se encontram e que se amam, que juntos geram outros homens e mulheres e que educam, ralham, impacientam-se e como que se elevam sempre que experimentam momentos de felicidade. E depois há os retratos do fim, da degradação, da doença e da morte: mulheres e homens dobrados sobre si próprios, alguns deitados para não mais se levantarem. As imagens do fim são esculpidas em bronze, com a sua cor escura a antecipar a morte. Todas as imagens do fim em redor de uma magnífica fonte com árvores e gigantes. À sua sombra e sob a água, as pessoas. E já estamos a meio do parque, depois de termos atravessado a ponte que concentra algumas das mais belas e surpreendentes representações daquilo que faz a vida humana – a maternidade, a paternidade , os irmãos, as zangas, as brincadeiras infantis, os medos, as dores, a raiva,o amor, o desamor…

As crianças de Vigeland são abraçadas pelas suas mães e pelos seus pais. Carinhosamente por ambos. Noutras figuras, não ao mesmo tempo. Os momentos dos pais e das mães com os seus filhos são vividos também separadamente, fazendo-nos esquecer por uns momentos a tradicional centralidade e muitas vezes exclusividade das mães em muitas esculturas e pinturas. E a maternidade e paternidade, reparo agora, existem também ditas separadamente na minha língua, quando na vida são indissociáveis.

Vigeland é também o espaço para outras formas de vida, não apenas a humana. Somos acompanhados por água, árvores e flores enquanto percorremos o parque. O Verão em Oslo não é propriamente luminoso e a Primavera imagina-se facilmente branca, fria e nevada. Apesar disso, as flores e as árvores, juntamente com o verde da relva, oferecem-se como se o sol sempre aqui estivesse, luminoso e quente.

Visitei este parque no primeiro dia em Oslo. Um parque que acolhe quem vem de longe e que é como uma casa de família alargada para os cidadãos que dele usufruem. E pareceram-me bastantes e frequentes as visitas que lhe fazem. Provavelmente pelos contornos tão humanos dos seus recantos, a lembrarem a vida de todos, que naturalmente se mistura com outras formas de vida.

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

 

Ana Sofia Melo

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Ver mais em :

Fotos – Viagens

Weblinks :

Vigeland Park / História

Visit Norway – Vigelandsparken

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